Compositor: Peste Noire
Na minha noite
Trincheira turva e fedorenta cheia de armadilhas onde chove
Pancadas de grades, aguaceiros de balas e aborrecimentos
Na minha noite onde chove
Oh, minha má estrela
De magenta e azul
Você veio tecer sua teia
Com brilhos violetas e falsificados
Feitos de meia-vida
Na minha noite
Negra, perpétua, densa
Neste maldito
Auditório de Thor
Eu provei sua dança
Droga de ouro dura
Dura como a minha futura
Dependência
Nas nossas noites
De Frigolet
A abadia
Ressoava
Com nossos paganismos
E a neve derreteu
À luz de suas armadilhas
De suas mentiras
Psiquiatria
Nova noite
Únicos amigos
Uns trissômicos
Que uivam como bebês
Como canções que convidam
A que todos nós rapidamente
Apodreçamos
Psiquiatria
Nova noite
É aqui
Que você me deixou
Pois é!
Nas minhas noites
Na minha noite
Na… Minha vida
Na minha noite
Já faz bem
Trinta e um
Anos que eu estou aqui
Que eu suo aqui
Que eu não amo nada
Que eu chupo aqui
Como um cachorro
O osso podre
Com gosto de Suze
Venenoso
Bem amargo
E nojento
Com gosto de merda
Da melancolia
Não é nem culpa sua
Velha amiga
Se na vossa vida de merda
Eu sou como uma nota falsa
Em atropelamento e fuga na minha noite labiríntica
Alcançado pelo meu luto genético
Procurando o seu dia sem GPS
Mas como sempre
Multado por excesso de tristeza
Encostado no acostamento
A cabeça estourada
Como meu pai de moto
Um verão de merda
Outrora o rato da cidade
Convidou o rato do campo
De uma maneira muito civilizada
Para restos de hortelões
Sobre um tapete da Turquia
A mesa se encontrava posta
Deixo para imaginar a vida
Que levaram esses dois amigos
O banquete foi muito digno
Nada faltava no festim
Mas alguém perturbou a festa
Enquanto eles estavam no meio
Na porta da sala
Eles ouviram um barulho
O rato da cidade foge
Seu camarada o segue
O barulho cessa, alguém se retira
Ratos em campo imediatamente
E o citadino diz
Vamos terminar todo o nosso assado
É o bastante, diz o rústico
Amanhã você vai vir à minha casa
Não é que eu me gabe
De todos os seus festins de rei
Mas nada vem me interromper
Eu como tudo à vontade
Adeus então, dane-se o prazer
Que o medo pode corromper